25 de jul de 2009

Halfweg's Haven - II

A heavy, all-present drone was thundering from the walls of infinity. I tried figuring it out, but it was too much. It was far more powerful and delicate than any sound I had ever witnessed in my Earth. One could only be tempted to feel like the gift of airness was no longer necessary for such a vibration to roam freely and touch whatever was there to be touched, for this was no earthly place. Casting shadows upon the lightless corners of the plateau, an eagle flew and stood in front of me. It was soaring, however not gigantic; mighty, though didn't pose any threats; godly, and yet the greatest testament of divinity through the ways of humanity only. The stars above were gazing upon me for the very first time ever, repaying my ever faithful glances and as if shining back all the light they had shone at and to me every night of my existence. The desert felt the purest in its wildness, distortion here was set free to collide with herself until it was the farthest reaching harmony of all, the sand never ceased to storm and settle, beautiful. Here I felt I only took what mattered, that is, the ether.

The eagle spread her wings around my head and listened me, not to me. I could listen her too. The drone, that conversion of all sound purely and sincerely cast to the wide universe since the cradle of time, at once, it grew broader as the eagle's song sang to me. She gifted me with oversight and the power to destroy boundaries. Even between beginning and ending. The shifting started, and as the moon, not our moon, a moon sized as a star, moaned her howl, feathers turned to fur and claws to paws, the wolf now stood before me. His eyes cried their loneliness to mine, its face marked with the only wounds that could be inflicted by lack of those to wound them. He listened and sang me with the sorrow that the eagle's majesty could not retain. His glimpse was the one that touched me the deepest. I felt like I did the same to him. The aggression in his gestures kept us apart, but our souls matched and mixed, never again would either be sole wolf or sole human, for ever the very border in between.

The wolf grew a mane and his claws bursted out of sown paws, the raging lion was before me. He flamed me, he made my arms feel like no shot from Orion's bow could break them; my legs stand with the bounding of Hercules' gateways; my fingers bolt as olympic lightnings. His song was one of change. He triggered my soul and set it in motion with such fire and explosion that I was burdened to shapeshift to eternity, while eternity twisted to never match me. The transgressor. Only after infusing me with the certainty and pride of true spirited kings and humility and honesty from pure hearted artisans did the lion turned his back on me, and like a whirlwind, turned into the entity that it really represented. As it hugged and destroyed me, the drone suddenly vanished, only to return when the desert's storms calmed and the razoring hurricane dismantled. I was flesh once again.

At last, the four riders came out of the galactic farthest end and presented themselves to me, in a silence that was only broken by the drone's onipresency. Hooded, their mufflers seemed more like the braces of destiny than mere cloth. All equal, and yet irradiating these purely contrasting harmonies that could shape entire worlds. I bowed as they took word, one by one. "The world has rocked you, my son, and now it is time to rock it back"; "You will fly from the highest cliff and hover, hover where all of us downfell"; "You will break the bound between matter and ether, you are the matter that creates, instead of transfigurating, and never again will harmony mean staticness"; "We gave you rage, power, emotion, abstraction, the raw, the polished, the combined, the separated, the all and nothing, humanity itself, and now you only have to give us the universe in return". I knew who they were by their faces. Father, God, Rover and Mage. Their blessing was now my endurance. Back to existence.

And was it all just a dream? Sparks of infinity, may you light my way. Everlasting. Ever.

21 de jul de 2009

Atradimas Profastosóicas - Volume II

E cá estão as músicas separadas do post anterior. Nessas semanas, em vez de uma usual absorção de várias bandas desconhecidas por mim para apenas superficialmente descobrir alguns estilos novos e interessantes, eu me dediquei a aprofundar meus conhecimentos sobre meus favoritos, do mesmo jeito que eu fiz com B.B. King e Eric Clapton no ano retrasado. O descoberto é incrível, "quer dizer que isso tava no meu HD faz tanto tempo e eu ainda não sabia?!", e drasticamente alterou minha visão de todas as bandas 'estudadas'. Eis os resultados.

The Who. Barulhentos, rebeldes, arrogantes e doidos. E perfeitos líderes espirituais. Eu já era um whoguenote desde ser atropelado pelos scooters de Quadrophenia e voar na asa delta do Tommy, mas ainda não conhecia com profundidade os lados mais humanos e cínicos do Who, namely, It's Hard, Who Are You e The Who By Numbers. Minha constelação favorita no céu do bom rock, o som que eles fazem em cada álbum, qualquer que seja a intenção, tem um apelo muito interior e muito épico, é a exaltação do revolucionário interior, e com tanta honestidade e tão pouca auto indulgência que é difícil saber onde o Who se encontra na estrada entre o Punk e o Prog. Já ouvi muita gente falando que Who é coisa de véio e que eu precisava ouvir tal coisa e outra coisa porque eu sou adolescente. Pro inferno com eles, The Who é o som dos que tem um mundo dentro e que ainda acham que conseguem mudar o de fora, pros franceses mortos na tomada da bastilha tomando chá com os boêres que antes de cair deram uma bela surra nuns par de inglês, quintessencialmente britânicos como mais ninguém. Além disso, tive tempo pra finalmente ouvir o grande Lifehouse Chronicles, lançado como solo do Townshend mas de fato Who como todos os outros, a rock opera que custou tanto pra não ser feita, mas que ainda rendeu 4 CDs de material magnânimo. The Who é religião...

...e Led Zeppelin é a intelectualidade. Meu orgulho no Zeppelin sempre será ter virtualmente todo o repertório de cor, só uma ou outra eu deixei de lado, e deles é a primeira discografia que eu tirei inteira. O que eu fiz nessas férias foi correr atrás das coisas ao vivo. Pelo twitter, achei uma blip dedicada a bootlegs de performances deles e me joguei nela sem pensar duas vezes. E o mais interessante é que é nas medleys dos shows que surgem cadências e progressões e até riffs que depois ouvimos no material de studio, como a sessão em mi menor logo depois do tema da Dazed And Confused virando a segunda parte de Achilles Last Stand e improvisações em ambas Since I've Been Loving You e The Song Remains The Same que francamente se transformaram em, respectivamente, Tea For One e Ozone Baby (pois é, afinal de contas, não era uma repetição de estilo!). Com o Zeppelin temos a fusão do blues com tudo que há pra se fundir, tanta precaução ao classificá-los como Heavy Metal é necessária quanto a todos os outros fusion genres, pois não só pelo menos metade do catálogo é acústico, o Heavy Metal que viria a se formar no fim dos anos 70 e pelos anos 80 era muito mais uma condensação extremamente simples das estruturas do Zeppelin e do Black Sabbath, a incursão do riff como matéria prima dos temas, por exemplo, porém a parte mais adventuresome e que adora a originalidade ficou com eles. Hard Rock e Heavy Metal, curiosamente, são termos obsoletos para se aplicar a bandas anteriores a sua cunhagem propriamente dita. Rock Fusion ou Blues Fusion, daí sim o sentido fica apropriado e justo com as musical landscapes da banda.

Em fevereiro de 1971, a incrível descoberta do túmulo perdido de Mozart foi escondida dos informativos de arqueologia porque os mantos funerários haviam sido violados. Curiosamente, tudo indicava que os rasgos vinham de dentro pra fora, como se o cadáver tivesse se libertado sozinho, revivido por técnicas misteriosas e esotéricas. Dois anos depois, sabemos o que de fato aconteceu com Wolfgang Amadeus Mozart, quando ele lançou seu primeiro álbum. Não seria uma má história pra a explosão do Queen, se bem que pra explicar como um alemão de 200 anos se transformou em um cantor lírico e pianista autodidata um tanto excêntrico, um guitarrista fodido e físico quântico frustrado, um baterista soprano (soprano, mêu! como assim?! o BATERA é SOPRANO!!! porque só eu fico chocado com isso?!) e um baixista um tantinho menos bipolar que o Charlie Mingus, seria necessário mais que mitose e meiose. O som orquestral e polifônico do Queen e a jollyfullnes característica stand alone in the history of rock, há quem diga que o Steely Dan foi o grupo anti-herói dos anos 70, mas o Queen ganha de longe. Até mês passado eu só conhecia A Night At The Opera, propositalmente baixado por ser aclamado como o mais importante do grupo, pra ter uma noção do que eles tocavam, e embora tivesse me impressionado muito com Bohemian Rhapsody, Death On Two Legs (Dedicated To...... e The Prophet's Song, a densa quantidade de showtime music e coisas bastante influenciadas por musicais tornaram a maioria do álbum um tanto inacessível. Depois de baixar a discografia e contextualizar, o estranhamento sumiu, a natureza do Queen é inadivinhável mas facilmente compreendida: um grupo virtuoso que tem o melhor senso de humor in the whole business. Tá, eles perdem pro Frank Zappa e cia. mas, digamos, do rock mainstream, é o melhor de todos. E o mais everlasting de todos, ouvir os primeiros álbuns já bastava pra descartar o término do grupo pela morte do baterista (S-O-P-R-A-N-O!) afogado em vômito ou pelo clash of egos. A implacável trajetória só foi interrompida pela infecção e morte do legendário músico e frontman Freddy Mercury pela AIDS, sendo Mercury abertamente homossexual desde os primórdios da banda. A primeira e até agora única banda a ser indicada ao Songwriters Hall Of Fame, todas as facetas musicais dos 4 se mesclam perfeitamente, tão harmônicas quanto conflitantes, assegurando com certeza que aqui não havia uma banda que tenderia ao tédio. Perfeita pra fritar escala maior também ^^.

Essas foram as mais extensivamente pesquisadas, e muito contribuíram ao conhecimento dessa pobre alma. Vejamos o que vem na próxima atradima profastosóica...

Atradimas Profastosóicas - Volume I

Consciência livre e tempo de sobra são as duas melhores coisas na primeira metade das férias, que acaba hoje de acordo com o calendário harighaliano. Então, nada melhor que um enclosure de no sooner thoughts than deeds pra contemplar a metáfora da minha existência. Pra não deixar o post muito grande e facilitar a divisão de assuntos, posto esse pra livros e um adiante pra músicas, fundidos eles iam ficar ridiculamente gigantes e mistureba gororobenta. Pois bem.

Na verdade foi bem pouca leitura, relativamente. A maioria já estava do meio pra frente, só o Júlio Verne e Sócrates foram lidos inteiros em Julho mesmo. A propósito de comparação, somadas devem ter sido umas 500 páginas em 2 semanas, meras 35 páginas por dia.

Miles Davis do Ian Carr foi o melhor aprendizado de jazz que eu já tive, deu pra captar umas 20 referências e entender muita coisa obscura no trabalho dele, inclusive finalmente compreender o senso de timelessness que deve se preparar pra ouvir his late stuff, e a revolução que o Coltrane quase realizou mas que ficou ao encargo do Miles pela morte do primeiro. You know, "Jazz into rock will go". Fora toda a edificação do exemplo supremo do ultimate jazzman, que sempre ressurgia dos hiatos como uma fênix com estilos completamente revolucionários.

Almanac of World History é de dois escritores da National Geographic, aqui nomeados simplesmente Daniels/Hyslp. Eu já tava lendo de pouquinhos havia um ano exato no sábado que eu acabei. E é o que melhor balanceia acessibilidade, conteúdo, abrangência e profundidade, além de preço absurdamente médio, pra 400 páginas que poderiam derramar sangue de batalha e água de rios históricos se torcidas, 50 reais quase que equalizam ser pago pra ter. E toda a durabilidade que merece aquele lugar especial na estante da eternidade, coisa que provavelmente não vira artigo de museu por abundância de exemplares em bom estado. Isto é, se você tiver mais cuidado que o elefante que vos escreve.

Viagem ao Centro da Terra do Júlio Verne foi... uma decepção, pra falar a verdade. Não sei se foi a tradução (vou tentar arranjar em inglês nas próximas férias pra checar), mas achei que a prosa foi muito enrolada e clichezona, daquelas que se fascinam com uma palavra e repetem pelo menos uma vez por capítulo (por que cê tá me olhando assim com essa cara? ha, como se EU fizesse isso...). O narrador é o ponto mais fraco, o cientista mirim mais emo da história, mas que fica muito engraçado na bipolaridade acidental da narrativa, "As cavernas são formações geológicas ocasionadas por Ó VIDA, SERÁ QUE UM DIA VOLTAREI A VER MEU AMOR ETERNO? Ó GRAUBEN (esse é o nome do amor eterno dele. Pois é.) Ó GRAUBEN! O capitão James Cook apresentou há algum tempo uma teoria sobre a formação das camadas inferiores da Terra que claramente justifica AI, DEUS, ESTOU PRESTES A DESMAIAR. ÁGUA! ÁGUA! Ó CÉUS, Ó VIDA, Ó DOR, Ó LOUCURA!...". O livro realmente se vale pelo outro protagonista, o professor Lidenbrock, um puta arquetípico absent minded professor que é tão rude e doido quanto se espera, sabe, um Ludovico Von Pato (Pato Donald, seus incultos) em um eterno rainy day. De vez em quando ele tem suas recaídas simpáticas com os sentimentos do sobrinho, o emo acima descrito, mas se recupera rápido. Pena que o final de todos os livros do Verne é tão batido em referências culturais diversas que não tem como ficar surpreso. Ia ter sido uma puta experiência. Algo para se consertar nas gerações futuras...

Admirável Mundo Novo do Aldous Huxley é muito doido, tem 2 leituras possíveis pra ele: comédia distópica ou tragédia distópica. Eu logicamente fiquei com a comédia, e essa visão torna tudo muito mais interessante. O Huxley muito bem podia ser um Monty Python, embora não tivesse as características do humor britânico per se, mas todo o nariz empinado e acidez arrogante estão lá. Referências nos nomes e storylines e o final mais apropriado pra uma história tão inconclusível, sustentados pela mais absolutamente habilidosa instância na nobre arte da fuga do clichê permitem essa ambiguidade tão perfeita e bastante interchangeable no curso do livro, para uma leitura ainda mais ampla. O mais surpreendente é que ele faz de tudo pra não construir uma atmosfera inimigável com a sociedade controlada dos alfas, betas, deltas e ipsilônes, mas você acaba ficando muito puto com tudo aquilo, pouco a pouco, e muda de lado sem pensar duas vezes no fimzinho. Um belo livro pra quem tem transtorno de personalidade. E pra quem acha que há terceiras vias para o olhar puramente revolucionário ou puramente consolidatório (ambos que eu já havia experimentando em alternância há um tempinho).

Sócrates é da coleção Os Pensadores, e de fato foi só pra conhecer pessoalmente a prosa grega, creio todo mundo já teve essa aula umas 10 vezes na vida de qualquer forma. Mas muitas coisas necessitam de reinterpretação antes do ensino formal, na minha opinião. Tipo o ateísmo que encarnaram nele por desafiar os templos. Secularidade não é ateísmo, pô, são esquizofrenias totalmente diferentes. E muitas vezes falam dele acentuando demais a ecentricidade, fazendo ele parecer o politizador da Grécia antiga, sendo que os relatos indicam realmente um cara sincero e honesto a ponto de parecer meio bobão, embora um orador e logicofeitor de cair pra trás. Não um revolucionário, um cara teimoso. De-romantizar essa visão muito fez pra ele subir no meu critério, mais um partidário pros caras-tranquilos-de-todo-dia...

Agora começa a parte pauleira. Short Calculus, On The Road, Física em 12 Lições, O Livro dos Espíritos, Uma Breve História do Mundo... Quem mandou ficar pedindo emprestado sem tempo pra ler no primeiro semestre? Humph...

20 de jul de 2009

Luna Mia!


Ex luna artum, bichos e brotos. Além de scientia e suas vertentes.
Hoje já hão 40 anos a mais na conta de dedo do tio Saturno desde que o astro de Artemis
foi atingido, e fodendo-se por quems e por ques segmentados, pelos antropódios.
And a woundrous milestone worthy of great jubilee it is. Ao que despida de todas as causas e consequências geopolíticas e esquizofrênicas, a arrematada de montinhos de silicato desformados por botas made in Earth (Third Stone from the Sun) é a exaltação de toda a humanidade anterior, que há tanto tempo se curvou aos astros para usufruir da sabedoria do fractal infinito e copular gemas sentemáticas, e o prelúdio de toda a posterior, que se Prometeu assim abençoar, deve finalmente chegar a conclusão que o leito para glimpsear o universo nu é muito mais interessante e confortável que o cabisbaixo ajoelhar que só nos leva aos refúgios tolos da natureza conflituosa sapiente. Palavras de um romântico reprimido pelo alter-ego.
And should you be under rebelious syndrom consequenced from
the conspiracy theorists, take a good read at this and go pick on
someone else's tail. Bloody slackers.

This oddly tempts me to finish quickly the post I have probably been most dying to write over the course of this blog's life. And so I will, for in ephemerities lie the stardusts. And moondusts.
However a good set of moony lines should also be called upon in patching the golden ribbon. Elvis, help me out,

Blue moon, keep on shining bright,
Youre gonna bring me back my baby tonight,
Blue moon, keep shining bright.

I said blue moon of kentucky
Keep on shining,
Shine on the one thats gone and left me blue.

Well, it was on one moonlight night,
Stars shining bright,
Wish blown high
Love said good-bye.

Blue moon of kentucky
Keep on shining.
Shine on the one thats gone and left me blue.

Merry Dark Side Of The Moon!

12 de jul de 2009

Totalmente Asamgeethamado

Lá estava ele e cá estava eu, longinquamente notável camisa social no meio de quintuplatilhões de zés regatados tentando achar livros de Direito. Ele me chama, "Br...(er, digo,)Harighals... HaAaAaArighals... eEeEu SeEeI qUeE vOoOcÊeÊ mEe OoUve...", eu vejo a capa dourada gigante resplandecendo nas minhas marbles... Mas eu viro pro lado e finjo que não tô nem aí.

Passando por aquelas adoravelmente caóticas prateleiras, vi uns 500 biblíos que valeriam a pena. Não sei o que é mais trabalhoso, ler 100 páginas em títulos de livro ou 100 páginas do livro em si, mas com certeza visar a infinitude de capas é o mais bittersweet de todos os vícios que hão a Terra. Mas eu não podia comprar nenhum deles, ia acabar esquecendo os últimos encarnados consumistas em casa, e não acabar o começado é o segundo mais bittersweet de todos os vícios que hão a Terra. Então eu me concentro em arqueologar livros for the sake of arqueologar livros. Da última vez saiu o Diderot Pictorial Encylopedia of TRADES AND INDUSTRY, um puta livrão (em todos os sentidos) por 50 mangos. Claro que todo dia ele me comprimenta da estante aqui no bunker esquizozô desde então. Direito Penal; Auto Ajuda; Arte Barroca; Romance; Romance de Adolescente (pft...); Cientologia. Hm. Esse eu comprava (em outras circunstâncias) só pra testemunhar o gênio do Hubbard, o maior vigarista a pisar a blue marble, ironicamente também o que mais deixou de ganhar ao morrer antes das sci fis dele virarem religião. "I'll tell ya, if you need money, make a religion". Anotado, bicho! Se bem que podia ter deixado a cosmologia da coisa melhor feita... aviões da NASA (repito, "aviões", não "ônibus espaciais") transportando milhões de fodidos por um imperador com nome sugestivo para lusos e sudeste-americanos de Xenu pelo espaço sideral. Meu, pra quê asa no espaço?, me diga. Enfim.

Algumas dezenas de minutos depois e eu acho 2 que eu podia comprar com certeza. HQs. Do melhor tipo, os codificadamente mitológicos. Sandman, lógico. Fables And Reflections e The Dream Hunters, o primeiro uma coletânea de HQs propriamente ditos e a outra uma narrativa a la sábio oriental ilustrada com nihonga, 2 que poderiam ser tranquilamente lidos em 2 dias, e sido foram. Melhores quadrinhos já idealizados, perfeitas combinações de 'quem procura acha' e 'não, é isso mesmo'... Linda tarde de quarta-feira, aquela foi.

Agora eu vou chegar ali no caixa e pagar esses dois, cabem exatamente na minha verba, e no caminho vou zoiando os flashiers. Cheguei na sessão de arte, melhor terreno para tal atividade, e levei meus bons 20 segundos em cada capa, mais 40 pra cada viagem...

Ele tá atrás de mim né? AH! me viro e lá está o objeto de meu aterrorizar...
"O Livro Gigante De Astronomia Medieval Em Italiano E Inglês"
... Do panteão dos épicos da Cultura, esse é o meu patrono e guardião. Nunca tive coragem de ver quanto ele custava, sabia que era estratosfericamente caro, mas eu não ligava. Um dia ele seria meu. Um dia ele vai ser meu. Dessa vez tomei audácia e fui até o balcão de peito cheio e mão na carteira: "Bicho, quanto custa esse?"

"Er... tudo isso? Tem certeza que cê não procurou a coleção inteira ou coisa assim? Tá certo... Cês não tem a versão pocket não né? Just checking... bom, já volto, devolver na prateleira. Passa esses outros enquanto isso *sorriso simpático*". You'll be mine, oh yes you will. Whatever it takes (isto é, a não ser 632,50 R$)...

Parcialmente Asamgeethamado

Férias. Humph.

Tá, as rédeas do pai cronos caem por sobre minhas manas neste joyfullado babilonólogo, mas o povo dos Miolos Unidos de Harighals não me deixa curtir como curtido deveria ser isso. Recentemente descobriram as merdas de proficiência e agora estamos num estado de sítio waterístico, 'hanging on in quiet desperation' (though it 'is the english way', we open subject-matter so its broadness may reach... 'wannabe brits', shall we?) enquanto o caderno de arpejos olha pra mim com cara de 'Seus dedos vão chegar ora perto demais da pasta The Who ora perto demais de desligar o amp, mas ao mesmo tempo na guitarra e em mim? Ha!', os poemas paranasianos fogem de desgosto do recipiente em si e do recipiente em mi, e os 7 (sim! consegui ler 1 já! hallellujah!) livros chaingunnados de empréstimo me chamam pra brincar com eles enquanto eu trabuco as expectativas pra a Milagrosa Semana, aquela que você procrastina tudo para, sabe, quando você é capaz de ler 1 livro+decorar 3 shapes+decorar uma estrófe por dia, além de estudar física/matemática/química 'E' acabar de tirar a discografia do Queen. Needless to say, such attempts usually end in painful woe of aftermath.

Mãs é arquimédico que nem tudo é abandono moral. Por exemplo, acabei de voltar da primeira viagem pra MG com a coisa mais melhor de boa e mágica e maravilhosa e triunfante e gloriosa e specialmaximegaplus deluxe do universo: Uma pantufa tamanho 45! Finalmente meus pódios restam em nuvenzinhas fofas de carneiros desnudos com espaço vital!! Além do que, o comando maior foi com sucesso pressionado a comprar cordas novas e arco novo pro violoncello forsaken by destiny itself, mesmo que ele agora esteja meio pequenino pra minha carapaça, finalmente vou poder voltar a autodidatar!!! Tem gente boteando PCs importantes na Coréia do Sul e nos EUA (não me chamaram, mas tudo bem...)!!!! O CPF chegou e me inscrevi no ENEM(erda)!!!!! Psicocabulosidélicas tentativas de juntar palhetas véias com arame e fita isolante pra formar dedeiras... tá, essas não deram muito certo. Mas eu ainda tô com bastante arame e fita isolante cá, vou achar algo criativo pra fazer. Cês vão ver.

De volta a cruzar os Seven Seas of Rhye, enquanto você tenta Keep Yourself Alive com seu Tenement Funster, sonhando In The Lap Of The Gods e esperando pelo cantarolar do scaramouche e do galileo, sabe, aquela Bohemian Rhapsody deles, tudo isso sem perder o equilíbrio ou Another One Bites The Dust.

God Save The Queen!

6 de jun de 2009

Got'em Old Blues Again

Cá estou deitado com a brownie, semblante ao céus, olhos ás estrelas que cercam a lua da noite desnuda de nublagens, como um coiote lançando mais um uivar do deserto frio e insólito existencial, chorando pelo ouvir do onisciente ouvidor a quem dedicamos nossas canções particulares muitas vezes sem saber, comandadas ao plano eterno, everlasting. Had'em walkin blues again, people.

Qualquer coisa entre o clássico spiritual do século XIX que os escravos negros norte americanos entoavam com seus flamejantes brados de fé e o melancólico rugido de uma guitarra distorcida a la anos 60 deslitando velhos delta blues clássicos aos portais etéricos de jovens almas é capaz de exorcisar todo abstrato no ato, em alguns 7 minutos de bramir bendástico. Poucas neologias harmônicas de fato chegam a esse ponto. E não importa quem seja o intérprete, todo blues tocado (digo, trovejado) como (digo, earthrisen) se deve tem esse efeito. Tá bom que é tão intangível quanto inútil procurar os óbvios indicadores de qualidade crítica e/ou instrumental analisável e/ou distinguível no o-O-o-O-ondear das cordas, mas quando é um blues, a gente sabe.

E olha que ontem mesmo eu fui no posto de retransmissão capitalista comprar uns bons apêndices guitarrísticos, inclusive um slide novo (o outro está forever cast in the shadows of some unknown backstage), e umas palhetas psicocabulosidélicas. Três horas de blues, studio/live, umas 20 almas/panteões diferentes, ahh, foi só deitar a cabeça na parede e calejar os dedos...

Ready be y'all for my blues-fase revival. This one seems to have come to stay. Let us see, then...

31 de mai de 2009

Fear not. There is a Coda.

Nostalgia é a arte de olhar para o passado, o mais profundo bittersweet yearning encarnado, e melancolia a memória do olhar do futuro, a mais desvencilhadora das depressões. Seria uma alma completa sem jamais dardear um sentemático raio de visão ao fio de sua existência, sentir queimando na carne coralina o deliciosamente ácido gotejar do que um dia foi destino e hoje é sorte?

Já personificamos arquétipos e estereótipos para uma gama de cotidiasneiras, dentro ou fora das nossas gemas psicológicas. Mas não é interessante quando de fato nosso ego pré-quartodimensional assume naturalmente uma identidade atemporal, qualquer descerrar da essência humana, que só pode ser identificado depois de muita distância do seu acontecimento e razão, tão espontâneos que parecem meant to be? Pobre homem que pensa ser adulto posto cara a cara com seu passado, podendo apenas ouvir os sussurros da existência do que sido foi, com seus semiconscientes berrando por certeza e simplicidade.

Sim, a arte de olhar para o passado. E ela foge da 'razão' (vocábulo inapropriado, o conceito ainda mais, não fugindo porém ao que o senso comum provavelmente aponta por seu clamor), explorando a alquimia dos deslanchares emocionais que afinal nos torna humanos orgulhosos de sua multifenia psicossomática. Neste laboratório da mãe Gaia, tal pré-fabricado campo de batalha asgardiano, surge o dom da descoberta. Não em uma realidade externa que tentamos integrar ou separar, classificar ou imiscivar, humanizar ou teofazer, e a fertilidade desses agridoces campos ainda terá o vir-a-ser em seu olhar pelo tempo necessário, apenas se desfazendo quando finalmente alguém gritar... ... ... ... .

E daí tem os condenados a solidão eterna. Homem sozinho existe tanto quanto estrela sem observação. Observação? Não, tanto quanto estrela sem personificação e apadrinhamento por um abstrato necessitado de algum. Então, à alma no relento cósmico, o passado se torna o everlasting squire, a melancolia não pode existir. Para um pobre espírito que não mais se dignifica pela sua amplitude antropomensurável, é como estar num navio marefeito. Nessa calma sem vida, debaixo das ondas, há a mais plena constatação de quem você é. Talvez o suficiente para afinal descobrir que você é a pessoa que mais odeia. Ou mais ama. Ou mais ignora.

Ora que os libertos nada têm a gracejar. O doce abraço da maré se foi, a terrível face do futuro se aproxima como o beijo da morte, num limbo depressivo somos postos a vagar crucíferos de raiva e lacrimejantes de esperança. Esperança que se torna fé, fé que se torna esperança, ebúrneos raios de transmutação aparentemente bloqueados pela eterna nuvem negra do que você é e não pode fugir... Não. Isso não vai acontecer. Não mais.

Carta de suicídio? Não deixa de ser um adeus. Mas não dessa existência planar carnal cujos pulsos rubros nos fazem excláusuros do quinto elemento. Talvez seja o suicídio da lacuna ocupada pela esperança, fé, desejo, orgasmo sentemático, firecrackers da realidade atingida, eis que eles não mais serão entidades separadas tão fria e cruelmente da alma que vos dirige, e sim encompassadas do espírito que embarca no seu mais novo avião. Para subir as nuvens negras, para banhar-se nos raios opalinos, para esperar a queda flamejante em vez do tombo empoeirado.

Nostalgia é a arte de olhar para o passado. Sucata da qual perfirma-se neste novo avião. Melancolia a mais desvencilhadora das depressões. Onde minhas armas apontam sem vacilar. Eis o último grito de guerra de uma pobre alma.

Da Capo, Fine. Coda. Fine.

12 de mai de 2009

On the Behalf of Overwhelmingly Long Instrumental Solos

Pode até ser que você ache um saco ficar regando o canteiro de atenção de um atleta guitarrístico enquanto ele explode riffs nos seus tímpanos, mas vá, de onde vem esse ódio por poucos 15 minutos de jam? Talvez seja a maldição pragmática sobre a humanidade do século 21, mas solos nem sempre são coisas ensaiadas e feitas com o único e exclusivo intuito de falar 'eu sou foda' sem falar. Muitas vezes esses guitargasmos são meditações (induzidas ou não por compostos químicos, geralmente 'não', já que a idéia é que você pense no que tá tocando também) transcendentalmente cabulosidélicas e extraetericamente atmosféricas que nos levam desde castles made of sand até à house of the rising sun, caminhando por strawberry fields enquanto dançamos à rain song.

É lógico que são 15 minutos de porre pra quem fica lá esperando algo óbvio. Mas não é. O ideal é deitar no chão, apagar todas as luzes (deixar uma minúscula, como o led do aparelho de som, também ajuda) e ficar lá com aqueles primal roars no último precipitando à desmemória seus vizinhos. Um dia eles entendem. Mas tenha certeza que você não está passando a má impressão, seus comobiliários podem achar que você está usando drogas psicodélicas ou bêbado (meu pai até me fez andar em linha reta na frente dele hoje pra provar [mal sabe ele que a bebacidade e drogosfera desta alma é tão irreversível quanto a própria saniedade e não precisa de triletrídeos pra começar]). E também escolha uma música própria para tanto. Não vá tentar nenhum popzinho besta, recuse qualquer coisa com menos de 8 minutos (tá, Bohemian Rhapsody é a excessão gritante) e certifique-se que, se você dormir, a música não vai loopar, o que destruiria a idéia de começo-meio-fim da sua experiência cabulosa.

Se você tiver um instrumento próprio, seja lá qual for (pode ser uma flauta doce vagabunda ou um teclado da sandy e júnior [*arrepio*]), não pense duas vezes e vá tocando junto.Medo de soar mal não lhe convém nesse momento, a idéia é simplesmente participar da construção abstratarmônica em disposição. Em grupo, melhor ainda, chega a hora que um certo código de 'quem toca o que quando e onde' surge inconscientemente e você sente aquela telepatia do caralho com seu confabulante. Não desista em hipótese alguma. Você recearia em correr o mais rápido que pode em cima de uma esfera de darmstádio untada com essência de monterey só porque ela gira um pouquinho vacilante debaixo dos seus pódios? Se você entendeu essa metáfora, já está pronto.

Por um mundo onde pedais e cabos convivem pacificamente e strap locks de fato lockam os straps.

9 de mai de 2009

Quintessência

Reza a lenda: quando 20 rotações da blue marble haviam me epicentrado e desepicentrado do universo vez após vez, minha mãe me colocou no piano, mãozinhas singelas ainda levemente atrofiadas depois da mudança brusca do meu apê de solteiro, e dedilhou para essa pobre alma o prelúdio nº1 de Bach, gotejando com meus dedinhos a tão famosa melodia que Gounod compôs por cima dela pra jorrar a infelizmente desgastada Ave Maria (aka musiquinha de casamento #2, geralmente cantada por algum pimpolho digno de tal) pelos éteres sonoros das proximidades. Não que fosse a primeira vez que cordas percutidas me atingissem, se levar em conta concertos transuterinos brotando seu caminho ao meu protótipo, mas até hoje um efeito meio anti-clockwork orange chega quando ouço essa música, sinto cheiro de infância e gosto de leite quente, afundando num sofá relativamente titânico e dormindo no ato (tocada direito, por mais rarefeitas que sejam as vezes)... Bons tempos. Bobos tempos.

Daí você percebe que uma melodia faz mais sentido pra você que quaisquer potências de 10 de saraivadas de palavras. Um singlezinho besta ou produção em massa de Grammy/Billboard te irritam profundamente, como se suas roupas encolhessem e você tivesse que aguentar aquele desconforto sem chance de sair correndo desnudo pelas pradarias. Jingles, nem se fala. Mas quando a música ultrapassa sua carapaça quasimoribunda e chega onde quer que as músicas chegam, ah, aí ela nunca mais sai da sua vida. Não demora até que a relação dos outros com a música te deixe frustrado, esquisito, transtornado, como se estivessem cuspindo na cara da sua alma e você nem limpar podia. Pensar sobre isso? Seria como jogar um lençol na frente do Sol, você consegue enxergar a forma agora, mas era o ofuscar e cegueira progressiva que tornavam a experiência factível. Não, levaria algum tempo depois da sua criancisse de 8 anos para pensar nisso de forma tangível.

Quanto mais conhecia os outros, mais eles soavam como melodias para mim. Mas a frustração, o soco na cara do sentido da vida, afastava aqueles abstratos de mim e vice versa. Não literalmente, não que amizades fossem quebradas em prol dessa alienação espontânea, nem que eu parasse de interagir de forma alguma, mas nunca nenhum deles receberia a permissão para adentrar meu ego e ver a minha essência. Aquela que eu já sabia que estava lá, silenciosamente guiando e agindo como eminência parda nos meus atos, que já suspeitava ser o lugar pr'onde a música ia. A decepção virou raiva, a solidão imposta por acontecimentos paralelos serviu de catálise para o período mais destrutivo da minha vida, e para a segregação preconceituosa de gêneros outrora vistos por igual, como se o julgamento antes fosse de fato gravação-por-gravação, não artista-por-artista, show-por-show ou álbum-por-álbum. Esse foi o momento mais Pink (The Wall) da minha vida, agora sim a linha estava traçada e não permitia ninguém atravessá-la. Hoje vejo que eu agia como um pastor evangélico, chamando de 'profano' todo aquele que antes era 'comum; normal'. Não mais um diferente, sim um avatar da verdadeira música.

Seu mundo cai quando você amadurece um pouco mais e olha pr'aquilo com nojo, repulsa, vergonha. Parece que os demônios que fizeram de seus atos sua posse não jaziam mais presentes na carapaça, e por mais sensato que 'não rolar em merda para se limpar' pareça, retrospectivar esse período de dois conglobabilônimerados se tornou minha assombração pessoal por algum tempo.

Se hoje eu te enxo o saco por causa de uma musiquinha chata, pode ficar tranquilo(A), é só bricadeirinha. Mesmo durante a era macartista, aquela musicossimilhança continuou crescendo mais e mais tomando a essência de sustentáculo. Era um sexto sentido, já. E por mais que eu tentasse me convencer que aquilo era síndrome de 'quem procura acha', nada reprovava a hipótese de que toda a minha gema sentemática era uma conseqüência do que eu estivesse ouvindo. Fazia tanto sentido, a música me ouvia, não o contrário, ela me achava quando eu precisava e as engrenagens psicológicas prosperavam funfantes por ela, melhor que prescrição de serpentarius. Daí o meu engatinhante conhecimento teórico/prático teve um boom inesperado, um apocalipse no sentido literal do grego. As coisas se encaixavam agora e eu podia viajar e paralacticar sobre tudo que eu já tinha ouvido. Foi a primeira vez que me senti pronto para compor.

Mas você sabe, né, que compor é um desses verbos que foi esmerdeado pelos séculos, principalmente por essas últimas décadas da era de peixes. O senso comum (aka o arqui'nimigo da humanidade) é que qualquer coisa é uma composição, qualquer coisinha. Um compositor, como Frank Zappa diria, não é nada mais que 'um cara que chega forçando sua vontade em moléculas de ar incautas', um abstrato com bom ouvido, mas a composição é algo maior que ele. Se alguém 'compoe', é porque percebeu que o prelúdio de eventos que levou o tal até o momento estava berrando de necessidade por algo maior que o ser humano. Uma 'composição' é algo maior que um 'compositor', por mais ínfima que possa ser em qualquer outro quesito. É aquela última sonda saindo de um planeta em chamas com um tico de esperança, sob o incogniscível olhar do destino. Doravante (weee! /o/) esta fôrma plotínica, muita música por aí sai da categoria de 'composição'. Tem experiências, improvisos, encomendas, respostas, tentativas, traduções, vanguardas, até canções!. Mas tantas composições quanto ratos loiros num navio de carga. Quer saber por que todo compositor autoproclamado é arrogante? Porque ele não é, não sacou ainda que ele devia ser menor que o produto de seu ofício.

Eis que mergulho nas profundezas mais poseidônicas do meus egos e alter egos, procurando pelo gatilho, pela explosão de psicocabulosidéias. Tem gente que me pergunta se eu passo minha vida biológica lendo ou estudando (ha! se você se acha mais burro que eu, tá no mais absoluto de todos os fins absolutos do poço, chico), mas quaisquer matérias que repousam nas minhas rubras almofadinhas eletrizadas foram consequência de procurar identidades, assimilações, um verdadeiro lar para minhas idéiathhhhhhhh. hhhhhh. h.

Você achou, ela pessêga e você transmite ela em um leitmotif. Outra cá, outra lá, quando me dou por vivo, jazem 15 riffs na minha frente. Olha pr'os lados, conta até 10. . . . . . . . . . ... Onwards and upwards!

21 de abr de 2009

Comeback - Volume I

'Oh, how the mighty have fallen!' é o melhor quote nesta exisistência para exemplificar, até justificar, o abandono desse blog e suas expectativas. Não que uma tidal destruction espontânea de tudo que eu planejo e psicocabulosidelizo seja tão rara assim, mas ainda assim o hábito não descarrega a culpa. Talvez a piore. Enfim.

Enquanto volto aos meus esforços herculanos de salvar minha saniedade e boa vontade de hormônios furiosos, achei melhor seguir o exemplo de tantos outros antes de mim e fazer um post sobre absolutamente nada. 'There's no life in the void', sim, mas talvez haja alguma criatividade (John Cage que o diga). Duvido que consiga superar incomensuráveis níveis de chatice e tediosidade de esforços anteriores, então, se você acha que agüentou até aqui, tome este como um descanso aos seus pobres miolos lacrimosos de sono.

A gente só percebe a falta de algo quando essa coisa some, e por ser um dito popular, é tão clichê quanto fácil de se tornar imune aos seus significados. E são essas coisas efêmeras e minúsculas que mais desestabilizam a big picture. Comigo, foi com um canal do fone de mp3 pifando depois de agonizantes improvisos envolvendo fita isolante e paciência que parecia desenterrada de qualquer que seja o lugar onde as pessoas a enterram. Ó três semanas sem ouvir 2/3 (por ironia o fone quebrado era justamente o mais usado pelos guitarristas) dos overdubs de solos épicos e blueseados, mas também sem ouvir o *squeak* do ocasionalmente mal-lubrificado pedalzinho-de-fazer-BOOMBOOM-no-tamborzão-que-geralmente-porta-a-marca-da-bateria-e-fica-no-centro-baixo-do-kit... Sábios são os que não se incomodam com esse adoravelmente odioso barulhinho dos infernos baterutas e resolvem o problema jogando no stereo do guitarrista. Humph. Engraçado é ouvir o reverb do solo no canal da base, você sempre tem aquela impressão que tem alguém tocando um pouco mais pra frente, mas não consegue definir direito. E solos harmonizados desarmonizados à marra da deficiência fônica ficam sem sentido e passam a vagar pelo limbo da desamplificação. Enfim, o caos se instala e o OST da sua vida sai prejudicado, levando você junto pro saco.

O retorno do outro canal, por outro lado, faz valer a pena o semi-milionésimo de era das trevas tão custoso.

No ontem metafórico eu fui cortar cabelo no Giovan(n?)tti(é, não deve ter 'nn' mesmo) do centro, em frente àquela famosa Praçaqueeusempreesqueçoonome. No segundo andar do sobrado, uma figura simpaticíssima e de forma alguma careira se dispoe a um papo amigável sobre qualquer assunto que um homem intrínseco da vida política julgaria interessante (ele não errou '1' resultado de eleição até hoje, e olha que eu corto o cabelo lá já há meios e quartos de década), futebol, 'os velhos tempos', 'os novos tempos', 'aqueles lazarento (essa é uma série temática por lá, cada mês é um novo quesito)', 'a crise', 'o lula' e incontáveis tópicos da mais pura natureza sociável enquanto desbrava seu caminho por tufinhos inúteis de queratina. Enquanto as outras gerações (costumamos ir eu, meu vô e meu pai juntos) prostram seus fios ao corte, fico na sacada do prédio admirando a praça e as pessoas. Nunca canso de fazer isso. E lá você vê de tudo, desde pastores pregando aos incautos filisteus vagando pela rua como se logo hoje fosse o dia que abordagens incomuns não aconteceriam a pessoas sentadas nos bancos que uma hora te percebem observando a rua e ficam com aquele olhar de 'ah, ele vai dar uma cuspida em alguém ou tá só aproveitando a vista dos decotes por cima...'. Adoro viajar em cenas dessa praça, inventar diálogos pra os belligerents, tentar descodificar um ser pelo seu jeito de andar ou de olhar para os lados, imaginar o que uma pomba pousada num fio está imaginando que eu estou e se ela sequer está, o que será daquelas crianças criançando lá embaixo, se de lá sai um serial killer ou um filósofo, quantas vezes essa praça já se tornou vital para a história da humanidade, quantas ainda se tornará... Quando você percebe, já pagaram a conta e você lá está farewellando o barbeiro e os clientes da casa, comumente um ou dois cavalheiros que vem buscar o 'remedinho' e jogar conversa fora enquanto desfrutam de seus efeitos leves.

Daí eu chego em casa e descubro que In-A-Gadda-Da-Vida terminou de baixar. Uma bela noite pra mim e uma péssima pro vizinho. Já ansiava por esse momento desde que vi aquele episódio dos Simpsons do Bart vendendo a alma, que a velhinha toca o riff no órgão da igreja pensando que é um canto religioso de um I. Ron Butterfly e o Homer fica 'Marge, lembra que a gente transava ouvindo esse hino?'. Que modelo de vida. Mais um pedaço dos anos 60 no meu HD!
E no anteontem metafórico eu descobri música minimalista do Terry Riley e de onde surgiram as intros do Won't Get Fooled Again e Baba O'Riley (o'RILEY, sacou?). Outra noite de pesar para meus vizinhos e de jubileu para meu delay.

Ah, não tô com a menor paciência pra concluir isso. Dormir agora eu vou. Quente não mais a sopa está. -se Foda a sintaxe amiguinhas e suas!

13 de fev de 2009

Presence


Todo mundo gosta do começo do filme, quando animação floreia e parece que nada vai dar errado, os sonhos parecem ser indestrutíveis e aquele dilúvio de confiança já faz transbordar a expectativa do sucesso absoluto. Mas não é essa parte a que se destina esse post. Estamos no meio-do-fim, no turbilhão de discórdia, depois que o mocinho perdeu a amada ou maior aliado, a inspiração, a proteção divina, sua espada inviolável ou coisa que o valha. Quando ele se afoga em heroína, álcool e ódio, no fundo do poço, e ninguém está lá para ajudá-lo, os que passam só sentem prazer em degustar de sua desgraça para o próprio urubunismo-trágico de tia que vai em salão de cabelereiro. Não são muitos os que gostam desse pedaço da história, quanto mais os que achem beleza nela. Mas há, aliás, mais do que no resto do filme junto. E se não houvesse essa parte, o final não faria sentido. Seria apenas mais um filme chato e previsível, sem víceras, sem dor, sem contraste. E é nesse ponto da epopéia de algumas bandas que surgem os mais inusitadamente belos trabalhos, quando você pode realmente enxergar através dos oclinhos do vocalista e o guitarrista manda os solos pra putaqueospariu pra fazer algo mais puro e truthful. Não há instante mais perfeito para realmente descobrir do que um grupo é realmente feito, e de vez em quando esses álbuns são aclamados como obras-primas. Cá está o exemplo máximo de como uma mal-aventurada seqüência de eventos se transforma em um verdadeiro rock, como Pete Townshend definiria: "The music that expresses whatever is inside you and around you at the same time".

A banda é, obviamente, Led Zeppelin. O álbum é, surpreendentemente, Presence.

Honestidade e simplicidade. Duas coisas que você não costumaria ver muito em um álbum de Hard Rock, facilmente substituídas por innuendo e faixas super-produzidas. Mas aqui há uma excessão gritante. Presence é sem dúvida o álbum menos valorizado do catálogo do Led Zeppelin, um erro de julgamento enorme, mas muito fácil de ser cometido por ouvidos desacostumados. Eu sei, quando liguei pra tocar pela primeira vez achei esquisito e...'jolly' demais pra a mesma banda que tinha gravado Dazed and Confused e Stairway to Heaven, ouví-lo parecia uma função senoidal de satisfação. Achilles Last Stand abria o álbum como uma audaciosa antítese do que estava por vir. Épica e minunciosamente trabalhada, era como ouvir o relato do último guerreiro aqueu vivo do cerco de Tróia que havia desembarcado em alguma ilha remota depois de um naufrágio na volta para casa. "For the mighty arms of Atlas/Hold the heavens from the earth" anunciava o leitmotif. Jeito melhor pra abrir um álbum do Led Zeppelin ainda estava para ser feito. Depois de 10 minutos de guitargasmos, porém, um buraco estilístico se estendeu: For Your Life e Royal Orleans. Realmente ouvi essas muito batidas pela primeira vez, elas eram chatas na maior parte. Só o turn-around no meio da parte em sol menor da For Your Life era realmente interessante, e Royal Orleans só tinha uma razão de ser: a quebradeira do ritmo na bateria do John Bonham. Fora isso eram monótomas demais. Então vinha outra boa, Nobody's Fault But Mine, um delta-blues disfarçado de rock que não deixava nada a desejar para Whole Lotta Love ou You Shook Me. Depois, outras duas chatas: Candy Store Rock e Hots On For Nowhere, a primeira parecia Jimmy Page perdido na estrada entre country e rock e pedindo informação pra Buddy Holly, a segunda era só um punhado de riffzinhos bobos que ficavam se repetindo. Fechando o álbum, Tea For One era tudo que Since I've Been Loving You podia ser e ainda tinha mais feel, era a exaltação do típico 'heavy blues', por assim dizer, que ouvimos no primeiro álbum, stratocastericamente mais nostálgica e melancólica, se é que me entende. Só isso. Demorou muito tempo pra realmente entender a essência do Presence, e porque é simplesmente o melhor álbum que o Led Zeppelin já lançou.

Foi no ano passado, na 'grande depressão' que precedeu a 'grande crise existencial' e por sua vez deu lugar à 'grande rebeldia-sem-causa'. A única coisa que me satisfazia era tocar blues rock e seus derivados. Se eu ouvia algum uptempo como The Lemon Song, era rápido em trocá-la por algo mais When The Levee Breaks. Um dia estava procurando álbuns pra tirar de ouvido, não perder velhos hábitos e tudo mais, e tropecei no Presence mais uma vez. "Ah, não vai ter problema nenhum, lembro que era chatinho e alegrinho demais mas mesmo assim, vou tirar esse só pra poder me vangloriar de ter tirado todos os álbuns do Zeppelin...". Achilles Last Stand deu trabalho. Muito trabalho. Até hoje vejo as versões ao vivo, especialmente os twin concerts de Knebworth em 79, e vejo que deve ter dado trabalho pra eles também. Nobody's Fault But Mine levou 3 passadas, 2 só pra tirar o riff. Tea For One não estava lá para ser tirada, sim para experimentar com a pentatônica de Cm e todas as escalas que você pode imaginar pra um blues em menor, todos os licks e passagens eram cópias retrabalhadas da Since I've Been Loving You. Aproveitei pra shufflear o resto do álbum. Caiu a bomba: For Your Life não era "chata na maior parte". Era um grito, um grito por misericórdia da cidade dos amaldiçoados. Se há uma faixa honesta em todos os álbuns já escritos pela humanidade, tem que ser For Your Life. Achilles Last Stand não é nada comparada com o que For Your Life realmente significa.
E o que significa?

Para entender o Presence, é preciso entender o que estava acontecendo no filme. Alguns meses antes da gravação, Robert Plant havia sofrido um acidente de carro na ilha de Rodes, Grécia, que o restringiu por muito tempo a uma cadeira de rodas. Achilles Last Stand é de certa forma uma referência a isso, já que Plant quebrou o calcanhar no mesmo acidente (referências mitológicas já foram devidamente postadas em dezembro). Os médicos não alimentavam esperanças completas de recuperação, alguns afirmavam que ele nunca mais andaria. Presence foi então virtualmente gravado em uma cadeira de rodas, no porão de um hotel abandonado, piorando o ânimo do claustrofóbico Plant em escalas inimagináveis para nós, pobres mortais. "And I was thinking, is all this rock'n'roll worth anything at all?". Sim, mesmo que ele declarasse suas dúvidas claramente, suas letras provaram que rock'n'roll really worthed it. O innuendo havia sido descartado, e agora a raison d'être das músicas eram contos verídicos sabiamente proferidos com o coração pesado de um observador que nada podia fazer além de esperar. For Your Life expressa o descontentamento de um Robert Plant longe da família que tanto precisava agora projetado na voracidade da rock industry e lifestyle, profeticamente se referindo também a um amigo perdido pelo tráfico de drogas em LA, "the city of the damned". A rezada espontaniedade de sua composição nos leva a um olhar sem barreiras de pretensão, não que sobre muita suspeita depois de todo o background ser devidamente ilustrado. É um choro de misericórdia que se confunde com grito por compaixão, duas coisas tão diferentes quanto não se pensa que essa faixa é digna do histórico do Zeppelin.

Nobody's Fault But Mine é o correspondente da outra parte da greater half da banda: Jimmy Page. Não é segredo que Page era viciado em heroína desde Physical Graffiti, mas algumas especulações apontam a letra desta como um desabafo da prisão de um vício que já começava a atrapalhar suas performances ao vivo. Há controvérsias. A mais destacável que Presence foi gravado em 18 dias, provavelmente um record, e muito bem editado por sinal. "After the band finished recording all its parts, me and the engineer, Keith Harwood, just started mixing until we would fall asleep. Then whoever would wake up first would call the other and we'd go back in and continue to work until we passed out again.", "I don't regret it at all (sobre arrependimento das conseqüências da heroína) because when I needed to be really focused, I was really focused. That's it. Both Presence and In Through The Outdoor were only recorded in three weeks: that's really going some. You've got to be on top of it.". Egocêntrico tal como se mostra, até onde a verossimilhança da última declaração vai é indeterminada. Mas indiscutivelmente a eficiência de sua produção é prova de sua concentração e força de vontade (consideramos o arrependimento como a parte digna de dúvidas, afinal, o que ele fazia ao vivo já estava sendo terrivelmente afetado. Ah, quem sou eu pra responder por ele afinal?) transparecem no Presence.

A pressão e impossibilidade de voltar para sua família levaram Robert Plant a culpar não apenas a vida que tinha de levar, como também os que ele considerava agentes de uma frustração encarnada: Jimmy Page e Peter Grant, manager da banda notado por ruthless efforts direcionados à melhoria de condições de trabalho para músicos e ainda lembrado como figura central no sucesso do Led Zeppelin por tais políticas e outras relacionadas a controle criativo da banda apenas que culminaram na formação do label Swan Song, dirigido pela alta cúpula do Zeppelin e que também publicou álbuns de outras bandas aplicando os mesmos princípios. Hots On For Nowhere é seu hino pessoal para esse sentimento, enquanto Tea For One expressa a mesma melancolia compartilhada pelos outros membros da banda. A primeira é extremamente enganadora enquanto a seus temas musicais X temas líricos, uma perfeitamente 'jollyful' para se confundir com algo pasteurizado. Mas há algumas discrepâncias desse rótulo mesmo na música, principalmente o uso do modo mixolídio para solo em oposição à pentatônica maior. Comentários suficientes já foram feitos no segundo, creio eu. A homesickness dos membros também é apontada como causa do alcoolismo severo de John Bonham, cuja morte por complicações de overdose de álcool selou um último prego no caixão do Led Zeppelin.

Se Rock'n'Roll do Led Zeppelin IV tivesse sido gravada para esse álbum, ela sairia exatamente como Candy Store Rock. Mais variada e low-keyed, é o que Robert Plant considera uma das duas melhores performance do álbum: "I spent the whole process in a wheelchair, so physically I was really frustrated. I think my vocal performance on it is pretty poor. It sounds tired and strained. The saving grace of the album was Candy Store Rock and Achilles Last Stand. The rhythm section on that was so inspired". Enquanto todas as outras faixas se parecem reflexões do clima apocalíptico no relacionamento interior e exterior da banda, temos um esforço descomunalmente estranho em Royal Orleans de fazer uma piada. Sim, só isso. Reza a lenda que John Paul Jones levou para um quarto de hotel (no Royal Orleans) um travesti pensando que era uma mulher. Os dois fumaram maconha juntos e ao passo que um caiu no sono, o apartamento estava em chamas. Plant fez a letra também para se vingar de um comentário de Jonesy sobre o vocal ser a parte menos importante de uma banda. "The transvestites were actually friends of Richard Cole; normal friendly people and we were all at some bar. That I mistook a transvestite for a girl is rubbish; that happened in another country to somebody else... Anyway 'Stephanie' ended up in my room and we rolled a joint or two and I fell asleep and set fire to the hotel room, as you do, ha ha, and when I woke up it was full of firemen". Faremos um esforço para acreditar em você, John Paul Jones.

Um fato devidamente criticado é a falta de participação na composição da rythm section da banda. Como o álbum foi idealizado em alguns dias por um encontro de Page e Plant em Malibu, antes de irem para a Alemanha gravar (pois é, deve ser um truque contra impostos), não houveram muitas chances de inserções diferenciadas. A falta de sintetizadores foi compensada (até demais, talvez) no follow-up, In Through The Outdoor, o último álbum do Led Zeppelin como um todo. Mas isso é história pra outro post.

3 de fev de 2009

Paradoxo de Harighals

Imagine que alguém esteja te perseguindo, seja lá qual for a razão, e você não pode deixá-lo te alcançar. Você tem um estilingue e um saco de carvão nas mãos. O que fazer?

Consideremos as variáveis: A diferença de velocidade; você; o perseguidor; a qualidade do carvão; o alcance e estado do estilingue; quanto falta para você chegar num beco sem saída; a meteorologia; a energia de ambos; fator absurdo e o terreno.

Se ele estiver correndo mais rápido, é inevitável que te alcance. Se não, que você saia de sua vista. Entretanto temos o fator energia intricamente relacionado com velocidade e podendo concluir que quanto mais energia gasta = mais velocidade e conseqüentemente menos energia reservada, dando espaço ao fator tempo. Tempo este que determina também sua distância ao beco, considerando que se um dos envolvidos parar de correr, o problema deixa de existir (se for o perseguido, pelo perseguidor alcançá-lo; se for o perseguidor, pelo perseguido fugir). Considerando ser este um sistema com fim pré-determinado e previsível por uma formulinha (vejamos... 'a sua distância até o beco' = 'sua energia gasta em função do tempo' = 'sua velocidade'; 'a distância dele até você' = 'diferença de gastos energéticos' = 'diferença de velocidades', faz um gráfico vocêXele e depois de calcular a área da figura você chega em algum lugar), passamos para os outros fatores:

1 - A qualidade do carvão - Se estiver esfarelando de tão ruim, pode deixar uma trilha preta que o perseguidor obviamente usará para continuar mesmo depois de te perder de vista. O que iria inevitavelmente levá-lo ao beco sem saída, onde você também está. Se for um bom carvão, você pode tentar jogar cubos nele na esperança de fazê-lo parar, mas isso iria agravar sua curvatória de velocidade pela energia gasta adicional em arremessar e calcular além de te distrair do fator terreno, vital já que um tropeção certamente dará tempoXvelocidade suficiente para o perseguidor te alcançar. A melhor alternativa então seria jogar tudo no chão e aproveitar a diminuição do peso para diminuir energia gastaXvelocidade, e com alguma sorte enquanto ao fator absurdo ele talvez seja prejudicado. Concluímos que a qualidade do carvão é irrelevante pois tem desvantagens potenciais pesando mais para todas as possibilidades.

2 - O alcance do estilingue - Sem munição (não, o carvão não cabe.) não há muito o que fazer. A não ser que você tente achar pedrinhas no chão. Mas isso é um problema pois causará uma distração pior ou igual àquela do bom carvão e então o único jeito é atirar o próprio estilingue. Se ele estiver em bom estado, talvez chegue a dissipar a atenção do perseguidor. Se não ele só continuará correndo imaginando o que era aquilo. O alcance, por falta de projéteis, é irrelevante.

3 - Meteorologia - Aqui consideramos parte do fator absurdo, por ser amplamente desconhecida. Mas se trabalhar ao seu favor, pode lesar muito as chances do perseguidor, fazendo-o se cobrir da chuva ou até perder mais energia num calor escaldante. Facetas estas que se repetirão em você, por ser uma faca de dois gumes inescapável por ambos. Então, se os dois lados da equação ganham ou perdem o mesmo 'x' ou 'y', consideramos irrelevante também

4 - Você - Está apenas preocupado em fugir. O stress pode ser um agravante temporário, mas provavelmente a calma prevaleceria depois de algum tempo de corrida. Mesmo stress contrabalanceado pela provável euforia do perseguidor. Ambos igualados, ambos iguais. Irrelevante.

5 - O fator absurdo - Não digno de testes, o máximo que você pode pedir é que um meteoro atinja a cabeça dele ou que ele sofra uma combustão espontânea. Tão faca de dois gumes quanto o tempo, porém muito mais sutil e potencialmente fatal.

6 - Ele - Aqui está sua esperança. Dependendo do grau de oportunismo e esperteza do perseguidor, você deve traçar seu plano de ação:

Muito burro - desligado do ambiente e focado em te alcançar. Nada vai fazê-lo parar e ele fica à mercê da formulinha '1'. As chances de ele se distrair com qualquer utilidade do carvão ou do estilingue são mínimas. Apenas continue correndo.
Burro - mais sucetível ao carvão pois pode fazê-lo se descoordenar ao tentar evitá-lo assim concedendo a você alguma vantagem. Provavelmente não ligaria para o estilingue, mas estaria de longe mais ameaçado por tiros que qualquer outro.
Normal - praticamente igual ao Muito burro, a justificativa porém seria uma suspeita do que você esteja tentando com suas alternativas. Mais ligado ao ambiente, talvez use seus instintos para guiá-lo pelo terreno, e é por aí que você deve atacar: jogue o carvão no chão e espere que ele tropece. Se não tropeçar, chegamos à conclusão do Muito burro.
Esperto - O que tem mais chances de te pegar. Qualquer coisa que você tente atirar nele vai ser usada com o maior grau de oportunismo para te atingir também. Aqui você está dependente do fator absurdo, porém não pode deixar de segurar o saco de carvão (que ele usaria pelos projéteis), e há poucas chances dele ser atingido pelas suas pedras, talvez continue te provocando para que a distração faça todo o trabalho por ele.
Muito esperto - Já pensou em tudo o que você está lendo aqui. Depois de pensar meticulosamente, vai decidir apenas continuar te perseguindo assim evitando as probabilidades aversas do estilingue e carvão, não importa o que, e imune ao fator absurdo por estar muito bem preparado. Praticamente igual ao Normal e o Muito burro.

Se organizarmos num plano geométrico as tendências de inteligência:

Muito burro ---- Burro ---- Normal ---- Esperto ---- Muito esperto

E as respectivas chances de te alcançar:

Previsíveis ---- Baixas ---- Previsíveis ---- Altíssimas ---- Previsíveis

Obtemos um plano com extremos e meio iguais. Teoricamente, então, não há plano, apenas um ponto. E se há apenas um ponto, não há diferenças teóricas enquanto chances. E já que as chances são reflexões práticas da projeção teórica, todos os fatores se anulam por serem irrelevantes e você chega em 0 = 0. Mas não pode ser 0 = 0 pois a projeção prática tem um fim inevitável, ele te alcançando ou você fugindo. E além disso, os meios do plano se encontram com a progressão pré-concebida teórica. Chegamos numa caixa de schrödinger, e o universo explode porque você está fugindo de um cara com um saco de carvão e um estilingue.

Mas ainda há um último: o absurdo multiversal superposicionado. Se há infinitos universos com linhas de possibilidade diferentes, há inifinitas chances de algum bom-samaritano-quântico descobrir um jeito de ir para o seu universo, então você com certeza vai ser salvo a tempo. Mas há também infintas chances de um deles chegar onde você está neste exato momento. Já chegou? Humph... E agora? Tá, talvez não hajam multiversos, ou pelo menos seja impossível passar de um pra outro. O universo explode mesmo assim.

(E vocês, caros leitores, viram o que a insônia é capaz de fazer com um pobre aluno de segundo colegial. Obrigado e boa noite).


31 de jan de 2009

Quotes Autolíticos



Epitáfios:

"This is the last of Earth! I am content!" - John Quincy Adams (1767 - 1848)
"Uma tumba agora basta para aquele a quem o mundo não foi suficiente." - Alexandre Magno (356 a.C. - 323 a.C.)
"That's all, folks!" - Mel Blanc (dublador do pernalonga) (1908 - 1989)
"S = k . log W" - Ludwig Boltzmann (sua fórmula para sistemas de entropia, cuja refutação na época o levou ao suicídio) (1844 - 1906)
"Don't try" - Charles Bukowski (1920 - 1994)
"Here lies a man who knew how to enlist the service of better men than himself." - Andrew Canergie (1835 - 1919)
"I am ready to meet my maker. Whether my maker is prepared for the great ordeal of meeting me is another matter." - Winston Churchill (1874 - 1965)
"Life is a jest and all things show it/I thought so once and now I know it." - John Gay (1685 - 1732)
"Ele descansa em algum lugar por aqui." - Werner Heisenberg (sobre seu princípio da incerteza) (1901 - 1976)
"Excuse me, I can't stand up." - Groucho Marx (1890 - 1977)
"Here lies/Lester Moore/Four slugs/From a 44/No Les/No Moore". - Lester Moore (1871 - 1924)
"Is this your card?" (acima de uma carta de 3 de paus) - Penn & Teller (ainda vivos)
"Here lies the ashes of a man who had the habit of postponing everything until tomorrow. Though he bettered on his final day and really died 31st of January 1972." - Fritiof Nilsson Piraten (1895 - 1972)
"Curiosity did not kill this cat!" - Studs Terkel (1912 - 2008)
"I told you so, you damned fools" - H.G. Wells (1866 - 1946)

Últimas palavras:

"Is it not meningitis?" - Louisa May Alcott
"Wait a minute...you dick..." - Papa Alexandre IV
"Pardonnez-moi, monsieur. Je ne l'ai pas fait exprès." - Maria Anotnieta (depois de tropeçar no pé de seu carrasco)
"Não atrapalhe meus círculos!" - Arquimedes (para o soldado romano prestes a matá-lo sem tê-lo reconhecido)
"Well, gentlemen, you are about to see a baked Appel." - George Appel (antes de ser eletrocutado)
"Die, I should say not, dear fellow. No Barrymore would allow such a conventional thing to happen to him." - John Barrymore
"Aplaudam amigos, a comédia acabou." - Beethoven
"What is this?" - Leonard Bernstein
"I should never have swithced from Scotch to Martini." - Humphrey Bogart
"I'm going away tonight." - James Brown
"A peça acabou! Aplaudam!" - Caesar Augustus
"Et tu, brute?" - Nem precisa falar...
"Hello." - Graham Chapman
"In keeping with Channel 40's policy of bringing you the latest in blood and guts and in living color, you are going to see another first -- attempted suicide." - Christine Churbbuck (âncora suicida ao vivo)
"I'm bored." - Winston Churchill
"Thank God. I'm tired of being the funniest person in the room." - Del Close
"Lady, you shot me!" - Sam Cooke
"Damn it... Don't you dare ask God to help me!" - Joan Crawford (para um empregado orando ao lado)
"Cadê meu relógio?" - Salvador Dalí
"Get the fucking nuns away from me!" - Norman Douglas
"Hurrah for anarchy! This is the happiest moment of my life." - George Engels (logo antes de ser enforcado)
"Now why did I do that?" - General William Erskine (depois de se jogar de uma janela)
"I've never felt better." - Douglas Fairbanks
"I'd hate to die twice. It's so boring." - Richard Feynman
"If you have a message for the devil, give it to me, for I'm about to meet him!" - Lavinia Fisher
"Hey fellas! How about this for a headline for tomorrow's paper: 'French Fries'!" - James French (executado na cadeira elétrica)
"I'd like to thank my family for loving me and taking care of me. And the rest of the world can kiss my ass." - Johnny Frank Garrett
"I'd rather be fishing." - Jimmy Glass (antes de ser eletrocutado)
"Vamos deixar os romanos relaxarem depois de tanto esperar pela morte de um velho" - Aníbal Barca
"Deus vai me perdoar, é a profissão dele." - Heinrich Heine
"When I hear that a man is religious, I conclude he is a rascal!" - David Hume
"Muito pelo contrário!" - Henrik Ibsen (respondedo ao comentário de melhoras por uma enfermeira)
"-I wish I was skiing. -Oh, Mr. Laurel, do you ski? -No, but I'd rather be skiing than doing what I'm doing." - Stan Laurel (conversando com uma enfermeira)
"Die, my dear? Why that's the last thing I'll ever do!" - Groucho Marx
"Tomorrow, I shall no long be here." - Nostradamus (pelo menos uma dentro!)
"Yes, a bullet-proof vest." - James Rodgers (antes de ser executado por fuzilamento, quando lhe perguntaram seu último desejo)
"I can't believe, after all this time, it was a bloody banana that killed me." - Ivanka Perko (e foi mesmo!)
"Eu não contei metade do que vi." - Marco Polo
"Last words are for fools who haven't said enough!" - Karl Marx