31 de mai de 2009

Fear not. There is a Coda.

Nostalgia é a arte de olhar para o passado, o mais profundo bittersweet yearning encarnado, e melancolia a memória do olhar do futuro, a mais desvencilhadora das depressões. Seria uma alma completa sem jamais dardear um sentemático raio de visão ao fio de sua existência, sentir queimando na carne coralina o deliciosamente ácido gotejar do que um dia foi destino e hoje é sorte?

Já personificamos arquétipos e estereótipos para uma gama de cotidiasneiras, dentro ou fora das nossas gemas psicológicas. Mas não é interessante quando de fato nosso ego pré-quartodimensional assume naturalmente uma identidade atemporal, qualquer descerrar da essência humana, que só pode ser identificado depois de muita distância do seu acontecimento e razão, tão espontâneos que parecem meant to be? Pobre homem que pensa ser adulto posto cara a cara com seu passado, podendo apenas ouvir os sussurros da existência do que sido foi, com seus semiconscientes berrando por certeza e simplicidade.

Sim, a arte de olhar para o passado. E ela foge da 'razão' (vocábulo inapropriado, o conceito ainda mais, não fugindo porém ao que o senso comum provavelmente aponta por seu clamor), explorando a alquimia dos deslanchares emocionais que afinal nos torna humanos orgulhosos de sua multifenia psicossomática. Neste laboratório da mãe Gaia, tal pré-fabricado campo de batalha asgardiano, surge o dom da descoberta. Não em uma realidade externa que tentamos integrar ou separar, classificar ou imiscivar, humanizar ou teofazer, e a fertilidade desses agridoces campos ainda terá o vir-a-ser em seu olhar pelo tempo necessário, apenas se desfazendo quando finalmente alguém gritar... ... ... ... .

E daí tem os condenados a solidão eterna. Homem sozinho existe tanto quanto estrela sem observação. Observação? Não, tanto quanto estrela sem personificação e apadrinhamento por um abstrato necessitado de algum. Então, à alma no relento cósmico, o passado se torna o everlasting squire, a melancolia não pode existir. Para um pobre espírito que não mais se dignifica pela sua amplitude antropomensurável, é como estar num navio marefeito. Nessa calma sem vida, debaixo das ondas, há a mais plena constatação de quem você é. Talvez o suficiente para afinal descobrir que você é a pessoa que mais odeia. Ou mais ama. Ou mais ignora.

Ora que os libertos nada têm a gracejar. O doce abraço da maré se foi, a terrível face do futuro se aproxima como o beijo da morte, num limbo depressivo somos postos a vagar crucíferos de raiva e lacrimejantes de esperança. Esperança que se torna fé, fé que se torna esperança, ebúrneos raios de transmutação aparentemente bloqueados pela eterna nuvem negra do que você é e não pode fugir... Não. Isso não vai acontecer. Não mais.

Carta de suicídio? Não deixa de ser um adeus. Mas não dessa existência planar carnal cujos pulsos rubros nos fazem excláusuros do quinto elemento. Talvez seja o suicídio da lacuna ocupada pela esperança, fé, desejo, orgasmo sentemático, firecrackers da realidade atingida, eis que eles não mais serão entidades separadas tão fria e cruelmente da alma que vos dirige, e sim encompassadas do espírito que embarca no seu mais novo avião. Para subir as nuvens negras, para banhar-se nos raios opalinos, para esperar a queda flamejante em vez do tombo empoeirado.

Nostalgia é a arte de olhar para o passado. Sucata da qual perfirma-se neste novo avião. Melancolia a mais desvencilhadora das depressões. Onde minhas armas apontam sem vacilar. Eis o último grito de guerra de uma pobre alma.

Da Capo, Fine. Coda. Fine.

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