12 de mai de 2009

On the Behalf of Overwhelmingly Long Instrumental Solos

Pode até ser que você ache um saco ficar regando o canteiro de atenção de um atleta guitarrístico enquanto ele explode riffs nos seus tímpanos, mas vá, de onde vem esse ódio por poucos 15 minutos de jam? Talvez seja a maldição pragmática sobre a humanidade do século 21, mas solos nem sempre são coisas ensaiadas e feitas com o único e exclusivo intuito de falar 'eu sou foda' sem falar. Muitas vezes esses guitargasmos são meditações (induzidas ou não por compostos químicos, geralmente 'não', já que a idéia é que você pense no que tá tocando também) transcendentalmente cabulosidélicas e extraetericamente atmosféricas que nos levam desde castles made of sand até à house of the rising sun, caminhando por strawberry fields enquanto dançamos à rain song.

É lógico que são 15 minutos de porre pra quem fica lá esperando algo óbvio. Mas não é. O ideal é deitar no chão, apagar todas as luzes (deixar uma minúscula, como o led do aparelho de som, também ajuda) e ficar lá com aqueles primal roars no último precipitando à desmemória seus vizinhos. Um dia eles entendem. Mas tenha certeza que você não está passando a má impressão, seus comobiliários podem achar que você está usando drogas psicodélicas ou bêbado (meu pai até me fez andar em linha reta na frente dele hoje pra provar [mal sabe ele que a bebacidade e drogosfera desta alma é tão irreversível quanto a própria saniedade e não precisa de triletrídeos pra começar]). E também escolha uma música própria para tanto. Não vá tentar nenhum popzinho besta, recuse qualquer coisa com menos de 8 minutos (tá, Bohemian Rhapsody é a excessão gritante) e certifique-se que, se você dormir, a música não vai loopar, o que destruiria a idéia de começo-meio-fim da sua experiência cabulosa.

Se você tiver um instrumento próprio, seja lá qual for (pode ser uma flauta doce vagabunda ou um teclado da sandy e júnior [*arrepio*]), não pense duas vezes e vá tocando junto.Medo de soar mal não lhe convém nesse momento, a idéia é simplesmente participar da construção abstratarmônica em disposição. Em grupo, melhor ainda, chega a hora que um certo código de 'quem toca o que quando e onde' surge inconscientemente e você sente aquela telepatia do caralho com seu confabulante. Não desista em hipótese alguma. Você recearia em correr o mais rápido que pode em cima de uma esfera de darmstádio untada com essência de monterey só porque ela gira um pouquinho vacilante debaixo dos seus pódios? Se você entendeu essa metáfora, já está pronto.

Por um mundo onde pedais e cabos convivem pacificamente e strap locks de fato lockam os straps.

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