21 de jul de 2009

Atradimas Profastosóicas - Volume I

Consciência livre e tempo de sobra são as duas melhores coisas na primeira metade das férias, que acaba hoje de acordo com o calendário harighaliano. Então, nada melhor que um enclosure de no sooner thoughts than deeds pra contemplar a metáfora da minha existência. Pra não deixar o post muito grande e facilitar a divisão de assuntos, posto esse pra livros e um adiante pra músicas, fundidos eles iam ficar ridiculamente gigantes e mistureba gororobenta. Pois bem.

Na verdade foi bem pouca leitura, relativamente. A maioria já estava do meio pra frente, só o Júlio Verne e Sócrates foram lidos inteiros em Julho mesmo. A propósito de comparação, somadas devem ter sido umas 500 páginas em 2 semanas, meras 35 páginas por dia.

Miles Davis do Ian Carr foi o melhor aprendizado de jazz que eu já tive, deu pra captar umas 20 referências e entender muita coisa obscura no trabalho dele, inclusive finalmente compreender o senso de timelessness que deve se preparar pra ouvir his late stuff, e a revolução que o Coltrane quase realizou mas que ficou ao encargo do Miles pela morte do primeiro. You know, "Jazz into rock will go". Fora toda a edificação do exemplo supremo do ultimate jazzman, que sempre ressurgia dos hiatos como uma fênix com estilos completamente revolucionários.

Almanac of World History é de dois escritores da National Geographic, aqui nomeados simplesmente Daniels/Hyslp. Eu já tava lendo de pouquinhos havia um ano exato no sábado que eu acabei. E é o que melhor balanceia acessibilidade, conteúdo, abrangência e profundidade, além de preço absurdamente médio, pra 400 páginas que poderiam derramar sangue de batalha e água de rios históricos se torcidas, 50 reais quase que equalizam ser pago pra ter. E toda a durabilidade que merece aquele lugar especial na estante da eternidade, coisa que provavelmente não vira artigo de museu por abundância de exemplares em bom estado. Isto é, se você tiver mais cuidado que o elefante que vos escreve.

Viagem ao Centro da Terra do Júlio Verne foi... uma decepção, pra falar a verdade. Não sei se foi a tradução (vou tentar arranjar em inglês nas próximas férias pra checar), mas achei que a prosa foi muito enrolada e clichezona, daquelas que se fascinam com uma palavra e repetem pelo menos uma vez por capítulo (por que cê tá me olhando assim com essa cara? ha, como se EU fizesse isso...). O narrador é o ponto mais fraco, o cientista mirim mais emo da história, mas que fica muito engraçado na bipolaridade acidental da narrativa, "As cavernas são formações geológicas ocasionadas por Ó VIDA, SERÁ QUE UM DIA VOLTAREI A VER MEU AMOR ETERNO? Ó GRAUBEN (esse é o nome do amor eterno dele. Pois é.) Ó GRAUBEN! O capitão James Cook apresentou há algum tempo uma teoria sobre a formação das camadas inferiores da Terra que claramente justifica AI, DEUS, ESTOU PRESTES A DESMAIAR. ÁGUA! ÁGUA! Ó CÉUS, Ó VIDA, Ó DOR, Ó LOUCURA!...". O livro realmente se vale pelo outro protagonista, o professor Lidenbrock, um puta arquetípico absent minded professor que é tão rude e doido quanto se espera, sabe, um Ludovico Von Pato (Pato Donald, seus incultos) em um eterno rainy day. De vez em quando ele tem suas recaídas simpáticas com os sentimentos do sobrinho, o emo acima descrito, mas se recupera rápido. Pena que o final de todos os livros do Verne é tão batido em referências culturais diversas que não tem como ficar surpreso. Ia ter sido uma puta experiência. Algo para se consertar nas gerações futuras...

Admirável Mundo Novo do Aldous Huxley é muito doido, tem 2 leituras possíveis pra ele: comédia distópica ou tragédia distópica. Eu logicamente fiquei com a comédia, e essa visão torna tudo muito mais interessante. O Huxley muito bem podia ser um Monty Python, embora não tivesse as características do humor britânico per se, mas todo o nariz empinado e acidez arrogante estão lá. Referências nos nomes e storylines e o final mais apropriado pra uma história tão inconclusível, sustentados pela mais absolutamente habilidosa instância na nobre arte da fuga do clichê permitem essa ambiguidade tão perfeita e bastante interchangeable no curso do livro, para uma leitura ainda mais ampla. O mais surpreendente é que ele faz de tudo pra não construir uma atmosfera inimigável com a sociedade controlada dos alfas, betas, deltas e ipsilônes, mas você acaba ficando muito puto com tudo aquilo, pouco a pouco, e muda de lado sem pensar duas vezes no fimzinho. Um belo livro pra quem tem transtorno de personalidade. E pra quem acha que há terceiras vias para o olhar puramente revolucionário ou puramente consolidatório (ambos que eu já havia experimentando em alternância há um tempinho).

Sócrates é da coleção Os Pensadores, e de fato foi só pra conhecer pessoalmente a prosa grega, creio todo mundo já teve essa aula umas 10 vezes na vida de qualquer forma. Mas muitas coisas necessitam de reinterpretação antes do ensino formal, na minha opinião. Tipo o ateísmo que encarnaram nele por desafiar os templos. Secularidade não é ateísmo, pô, são esquizofrenias totalmente diferentes. E muitas vezes falam dele acentuando demais a ecentricidade, fazendo ele parecer o politizador da Grécia antiga, sendo que os relatos indicam realmente um cara sincero e honesto a ponto de parecer meio bobão, embora um orador e logicofeitor de cair pra trás. Não um revolucionário, um cara teimoso. De-romantizar essa visão muito fez pra ele subir no meu critério, mais um partidário pros caras-tranquilos-de-todo-dia...

Agora começa a parte pauleira. Short Calculus, On The Road, Física em 12 Lições, O Livro dos Espíritos, Uma Breve História do Mundo... Quem mandou ficar pedindo emprestado sem tempo pra ler no primeiro semestre? Humph...

Nenhum comentário: