21 de jul de 2009

Atradimas Profastosóicas - Volume II

E cá estão as músicas separadas do post anterior. Nessas semanas, em vez de uma usual absorção de várias bandas desconhecidas por mim para apenas superficialmente descobrir alguns estilos novos e interessantes, eu me dediquei a aprofundar meus conhecimentos sobre meus favoritos, do mesmo jeito que eu fiz com B.B. King e Eric Clapton no ano retrasado. O descoberto é incrível, "quer dizer que isso tava no meu HD faz tanto tempo e eu ainda não sabia?!", e drasticamente alterou minha visão de todas as bandas 'estudadas'. Eis os resultados.

The Who. Barulhentos, rebeldes, arrogantes e doidos. E perfeitos líderes espirituais. Eu já era um whoguenote desde ser atropelado pelos scooters de Quadrophenia e voar na asa delta do Tommy, mas ainda não conhecia com profundidade os lados mais humanos e cínicos do Who, namely, It's Hard, Who Are You e The Who By Numbers. Minha constelação favorita no céu do bom rock, o som que eles fazem em cada álbum, qualquer que seja a intenção, tem um apelo muito interior e muito épico, é a exaltação do revolucionário interior, e com tanta honestidade e tão pouca auto indulgência que é difícil saber onde o Who se encontra na estrada entre o Punk e o Prog. Já ouvi muita gente falando que Who é coisa de véio e que eu precisava ouvir tal coisa e outra coisa porque eu sou adolescente. Pro inferno com eles, The Who é o som dos que tem um mundo dentro e que ainda acham que conseguem mudar o de fora, pros franceses mortos na tomada da bastilha tomando chá com os boêres que antes de cair deram uma bela surra nuns par de inglês, quintessencialmente britânicos como mais ninguém. Além disso, tive tempo pra finalmente ouvir o grande Lifehouse Chronicles, lançado como solo do Townshend mas de fato Who como todos os outros, a rock opera que custou tanto pra não ser feita, mas que ainda rendeu 4 CDs de material magnânimo. The Who é religião...

...e Led Zeppelin é a intelectualidade. Meu orgulho no Zeppelin sempre será ter virtualmente todo o repertório de cor, só uma ou outra eu deixei de lado, e deles é a primeira discografia que eu tirei inteira. O que eu fiz nessas férias foi correr atrás das coisas ao vivo. Pelo twitter, achei uma blip dedicada a bootlegs de performances deles e me joguei nela sem pensar duas vezes. E o mais interessante é que é nas medleys dos shows que surgem cadências e progressões e até riffs que depois ouvimos no material de studio, como a sessão em mi menor logo depois do tema da Dazed And Confused virando a segunda parte de Achilles Last Stand e improvisações em ambas Since I've Been Loving You e The Song Remains The Same que francamente se transformaram em, respectivamente, Tea For One e Ozone Baby (pois é, afinal de contas, não era uma repetição de estilo!). Com o Zeppelin temos a fusão do blues com tudo que há pra se fundir, tanta precaução ao classificá-los como Heavy Metal é necessária quanto a todos os outros fusion genres, pois não só pelo menos metade do catálogo é acústico, o Heavy Metal que viria a se formar no fim dos anos 70 e pelos anos 80 era muito mais uma condensação extremamente simples das estruturas do Zeppelin e do Black Sabbath, a incursão do riff como matéria prima dos temas, por exemplo, porém a parte mais adventuresome e que adora a originalidade ficou com eles. Hard Rock e Heavy Metal, curiosamente, são termos obsoletos para se aplicar a bandas anteriores a sua cunhagem propriamente dita. Rock Fusion ou Blues Fusion, daí sim o sentido fica apropriado e justo com as musical landscapes da banda.

Em fevereiro de 1971, a incrível descoberta do túmulo perdido de Mozart foi escondida dos informativos de arqueologia porque os mantos funerários haviam sido violados. Curiosamente, tudo indicava que os rasgos vinham de dentro pra fora, como se o cadáver tivesse se libertado sozinho, revivido por técnicas misteriosas e esotéricas. Dois anos depois, sabemos o que de fato aconteceu com Wolfgang Amadeus Mozart, quando ele lançou seu primeiro álbum. Não seria uma má história pra a explosão do Queen, se bem que pra explicar como um alemão de 200 anos se transformou em um cantor lírico e pianista autodidata um tanto excêntrico, um guitarrista fodido e físico quântico frustrado, um baterista soprano (soprano, mêu! como assim?! o BATERA é SOPRANO!!! porque só eu fico chocado com isso?!) e um baixista um tantinho menos bipolar que o Charlie Mingus, seria necessário mais que mitose e meiose. O som orquestral e polifônico do Queen e a jollyfullnes característica stand alone in the history of rock, há quem diga que o Steely Dan foi o grupo anti-herói dos anos 70, mas o Queen ganha de longe. Até mês passado eu só conhecia A Night At The Opera, propositalmente baixado por ser aclamado como o mais importante do grupo, pra ter uma noção do que eles tocavam, e embora tivesse me impressionado muito com Bohemian Rhapsody, Death On Two Legs (Dedicated To...... e The Prophet's Song, a densa quantidade de showtime music e coisas bastante influenciadas por musicais tornaram a maioria do álbum um tanto inacessível. Depois de baixar a discografia e contextualizar, o estranhamento sumiu, a natureza do Queen é inadivinhável mas facilmente compreendida: um grupo virtuoso que tem o melhor senso de humor in the whole business. Tá, eles perdem pro Frank Zappa e cia. mas, digamos, do rock mainstream, é o melhor de todos. E o mais everlasting de todos, ouvir os primeiros álbuns já bastava pra descartar o término do grupo pela morte do baterista (S-O-P-R-A-N-O!) afogado em vômito ou pelo clash of egos. A implacável trajetória só foi interrompida pela infecção e morte do legendário músico e frontman Freddy Mercury pela AIDS, sendo Mercury abertamente homossexual desde os primórdios da banda. A primeira e até agora única banda a ser indicada ao Songwriters Hall Of Fame, todas as facetas musicais dos 4 se mesclam perfeitamente, tão harmônicas quanto conflitantes, assegurando com certeza que aqui não havia uma banda que tenderia ao tédio. Perfeita pra fritar escala maior também ^^.

Essas foram as mais extensivamente pesquisadas, e muito contribuíram ao conhecimento dessa pobre alma. Vejamos o que vem na próxima atradima profastosóica...

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