21 de abr de 2009

Comeback - Volume I

'Oh, how the mighty have fallen!' é o melhor quote nesta exisistência para exemplificar, até justificar, o abandono desse blog e suas expectativas. Não que uma tidal destruction espontânea de tudo que eu planejo e psicocabulosidelizo seja tão rara assim, mas ainda assim o hábito não descarrega a culpa. Talvez a piore. Enfim.

Enquanto volto aos meus esforços herculanos de salvar minha saniedade e boa vontade de hormônios furiosos, achei melhor seguir o exemplo de tantos outros antes de mim e fazer um post sobre absolutamente nada. 'There's no life in the void', sim, mas talvez haja alguma criatividade (John Cage que o diga). Duvido que consiga superar incomensuráveis níveis de chatice e tediosidade de esforços anteriores, então, se você acha que agüentou até aqui, tome este como um descanso aos seus pobres miolos lacrimosos de sono.

A gente só percebe a falta de algo quando essa coisa some, e por ser um dito popular, é tão clichê quanto fácil de se tornar imune aos seus significados. E são essas coisas efêmeras e minúsculas que mais desestabilizam a big picture. Comigo, foi com um canal do fone de mp3 pifando depois de agonizantes improvisos envolvendo fita isolante e paciência que parecia desenterrada de qualquer que seja o lugar onde as pessoas a enterram. Ó três semanas sem ouvir 2/3 (por ironia o fone quebrado era justamente o mais usado pelos guitarristas) dos overdubs de solos épicos e blueseados, mas também sem ouvir o *squeak* do ocasionalmente mal-lubrificado pedalzinho-de-fazer-BOOMBOOM-no-tamborzão-que-geralmente-porta-a-marca-da-bateria-e-fica-no-centro-baixo-do-kit... Sábios são os que não se incomodam com esse adoravelmente odioso barulhinho dos infernos baterutas e resolvem o problema jogando no stereo do guitarrista. Humph. Engraçado é ouvir o reverb do solo no canal da base, você sempre tem aquela impressão que tem alguém tocando um pouco mais pra frente, mas não consegue definir direito. E solos harmonizados desarmonizados à marra da deficiência fônica ficam sem sentido e passam a vagar pelo limbo da desamplificação. Enfim, o caos se instala e o OST da sua vida sai prejudicado, levando você junto pro saco.

O retorno do outro canal, por outro lado, faz valer a pena o semi-milionésimo de era das trevas tão custoso.

No ontem metafórico eu fui cortar cabelo no Giovan(n?)tti(é, não deve ter 'nn' mesmo) do centro, em frente àquela famosa Praçaqueeusempreesqueçoonome. No segundo andar do sobrado, uma figura simpaticíssima e de forma alguma careira se dispoe a um papo amigável sobre qualquer assunto que um homem intrínseco da vida política julgaria interessante (ele não errou '1' resultado de eleição até hoje, e olha que eu corto o cabelo lá já há meios e quartos de década), futebol, 'os velhos tempos', 'os novos tempos', 'aqueles lazarento (essa é uma série temática por lá, cada mês é um novo quesito)', 'a crise', 'o lula' e incontáveis tópicos da mais pura natureza sociável enquanto desbrava seu caminho por tufinhos inúteis de queratina. Enquanto as outras gerações (costumamos ir eu, meu vô e meu pai juntos) prostram seus fios ao corte, fico na sacada do prédio admirando a praça e as pessoas. Nunca canso de fazer isso. E lá você vê de tudo, desde pastores pregando aos incautos filisteus vagando pela rua como se logo hoje fosse o dia que abordagens incomuns não aconteceriam a pessoas sentadas nos bancos que uma hora te percebem observando a rua e ficam com aquele olhar de 'ah, ele vai dar uma cuspida em alguém ou tá só aproveitando a vista dos decotes por cima...'. Adoro viajar em cenas dessa praça, inventar diálogos pra os belligerents, tentar descodificar um ser pelo seu jeito de andar ou de olhar para os lados, imaginar o que uma pomba pousada num fio está imaginando que eu estou e se ela sequer está, o que será daquelas crianças criançando lá embaixo, se de lá sai um serial killer ou um filósofo, quantas vezes essa praça já se tornou vital para a história da humanidade, quantas ainda se tornará... Quando você percebe, já pagaram a conta e você lá está farewellando o barbeiro e os clientes da casa, comumente um ou dois cavalheiros que vem buscar o 'remedinho' e jogar conversa fora enquanto desfrutam de seus efeitos leves.

Daí eu chego em casa e descubro que In-A-Gadda-Da-Vida terminou de baixar. Uma bela noite pra mim e uma péssima pro vizinho. Já ansiava por esse momento desde que vi aquele episódio dos Simpsons do Bart vendendo a alma, que a velhinha toca o riff no órgão da igreja pensando que é um canto religioso de um I. Ron Butterfly e o Homer fica 'Marge, lembra que a gente transava ouvindo esse hino?'. Que modelo de vida. Mais um pedaço dos anos 60 no meu HD!
E no anteontem metafórico eu descobri música minimalista do Terry Riley e de onde surgiram as intros do Won't Get Fooled Again e Baba O'Riley (o'RILEY, sacou?). Outra noite de pesar para meus vizinhos e de jubileu para meu delay.

Ah, não tô com a menor paciência pra concluir isso. Dormir agora eu vou. Quente não mais a sopa está. -se Foda a sintaxe amiguinhas e suas!