17 de jul de 2010

Meanwhile...

Você não odeia relógios de ponteiro? Digo, não os de pulso, mas os que prestam diligência ao lado da sua cama, em cima da escrivaninha, com anexos grandes o suficiente para distribuir temporais 'clack clock clack clocks' na subconsciência desatenta, o que interfere na sua consciência desatenta, tornando a subatenção desconsciente da vociferação da outra, a consciente atenção. Pode até ser que pra você isso seja um relógio, mas pra mim, isso é um metrônomo, em andante 60 bpm me dizendo que eu estou cantarolando internamente o riff da La Villa Strangiato muito rápido.

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Bloody hell. Sabe aquelas apostas que você ocasionalmente faz consigo mesmo que realmente não tem nada a ver com nada, isto é, que você piamente crê que não tem nada a ver com nada, tipo "se o semáforo não abrir nos próximos 5 segundos, um golfinho vai cair de nariz naquele ônibus, desgovernar a coisa e criar uma cena Burnout na qual NINGUÉM vai morrer (porque você de forma alguma quer pesos na consciência filosófica atrapalhando sua fantasia) por um milagre, mas que vai fazer uma série de explosões Transformers arruinar um cenário outrora pacato e tornar seu dia um dia que não foi só outro dia"? Ou então o mais clássico TOC-oriented "Se eu não conseguir bater o pé em ritmo constante de 3 vezes por segundo, minha mãe morre"? Ah, cês vão entender absolutas bulhufas se eu começar pelo meio. Melhor então do primórdio do primórdio.

Era uma vez uma montanha alta pra caralho. Ela surgiu lá pelo pré-cambriano com suas amiguinhas pedras mal-encaradas de tamanho grande e vem encargando a função montanhesca desde então. Deslizando água de chuva, erodindo, ficando lá, servindo de pinico pra dinossauro, erodindo, ficando lá, canalizando ventos, erodindo, ficando lá, movendo-se com as placas tectônicas a vertiginosas velocidades que dariam inveja pra qualquer iceberg (isto é, se icebergs tivessem mais sentimentos que o desespero de ver-se derretendo por nada), erodindo, e enfim a mais importante: ficando lá. Mas ela era, assim, estupidamente alta. E seu tamanho a tornou estupidamente incautelosa. Ora que não tardou até um grupo de vantajosos na evolução reparasse na sua condição de ficante de lá e decidisse amigar a montanha. E por ficar lá mais ainda, sendo uma metáfora e metonímia do tédio dos abstratos de dois pés, foi duplamente oficiada com o sublime porre: montanha (posto que exercia com tamanha proeza que se tornou exemplo para todas as montanhas da região e do mundo) e descarga esquizofrênica. Não esperando isso, a pobre grandona nem teve tempo de matutar uma avalanche, chamar um vulcão próximo, remoer-se por negar àquele grupo de dragões que um dia voaram por perto abrigo... Então o povo aclamou-a Monte Olimpo e boa.

E já que os quems que fazemonos as realisdades a nósos somosos nózeses mesmosos, (isto é, não as monstanhasas), o universo teve que dar um jeito de pumpiulhilhar os benditos. Assim foi. Só que assim sendo, os deuses tiveram o mesmo trampo bípede: tédio. Absoluta falta do que fazer. Tente entender a situação dos etéreos, ser criado por alguém que acha que quem criou alguém foi você e de repente ter que compactuar com ovelhinhas inocentes sangradas aos seus pódios e estátuas de marfim que antes poderiam estar na boca de um elefante ou na renda de um país africano mas que futilmente descansam na sua barba falsa, eterna grisalha de nenhumora.

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E agora, por ionosférico obséquio, uma tentativa de escrever algo profundo e acessível.

Nesses 5 ou 6 anos de tentar deixar para trás partituras e cifras e me dedicar a tirar músicas exclusivamente pela audição, num tudo ou nada que demorou para recompensar, mas que recompensou muito mais que eu imaginava, aprendi 3 coisas fundamentais. Um - Mi, Ré, Lá, Sol. São todos os acordes que você vai precisar pra fazer um bom rock. Dois - Se você quer conduzir seu ouvinte a respostas emocionais agudas, fazendo-o reparar em detalhes expressivos, use o quinto modo da menor melódica, que te dá a cadência plagal de subdominante menor, ou o modo dórico, que, como Dark Side of The Moon, Kind of Blue, Stairway to Heaven e tantos outros nos ensinaram, é o segredo para a plena thoughtfulness rockenrollística. Três - pessoas diferentes sentem igual por razões diferentes. Mas sentem igual.

Desde que a filosofia é filosofia um dos maiores questionamentos mantidos através das eras em suas marmóricas colunas é a questão da percepção alheia. Afinal, o outro percebe como eu, ou por ser outro tem uma completamente diferente cognição do mundo? Com certeza podemos enxergar diferente, ouvir diferente, cheirar diferente, tatear diferente, degustar diferente, pensar diferente, desenvolver diferente.
Mas sentir igual.

Se você já ouviu uma letra ou uma melodia e achou que bem poderia ser sobre você, você sabe como é fácil acreditar na hora que a identidade é direito, e que nós humanos nos relacionamos através dessas bombas hormonais que chamamos emoções. E por mais que dúvidas venham e vão, a idéia se mantém, na esperançosa busca por fundamento e crença. Então, de muitas, algumas: pessoas sentem igual e em igual intensidade, diferente e em intensidades iguais, ou apenas compartilham o gatilho da sensação, isto é, diferente e em diferentes intensidades. Mas sentem igual.

Claro, diferentemente iguais. Diferentemente o suficiente para que sejamos diferentes mas igual deveras para que possamos ter o mero conceito de igual, pré-revolução industrial claro. Ah, que belo emaranhado de frases idiotas.

Éh, que belo emaranhado de frases idiotas.

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Ode ao Giz, Op. 1

Ó fantoche ebúrneo / Do calcificado soturno!
Rabiscas a aquamarina face / Sem temor que o alace.
Nestas manoplas pérfidas / Maquiavelices herméticas.
Não podes ver / De seu pedestal, entrer,
Quanto quero eu, / Desamado ateu,
O último baluarte / De minha lua de Marte?

Ode ao Giz, Op. 2

Crisscrossing endlessly / Facing caresslessly
Boards of sorrow magnitude / Deprived of depth or prelude
That may only face end / When old ideas come to bend
Young minds / Neophyte grinds
Hyerogliphic cognitions / Multitude of minions
Whilst I, unearthed man / Come to seek, please not in vain
Destiny's Guide / Orion's pride,
My one and only / Cure for being lonely...

4 de jan de 2010

A Child's Prayer for a Brave New Year

Querido papai do céu,

Faz um tempo que a gente não se fala, né? Tipo, desde aquela prova de matemática da... oitava série? Hahaha, bons tempos aqueles, só eu você e regra de três!! heh... hehehe... hum, *caham*, enfim. Se vai mais um ano, outro chega, novas esperanças, novos sonhos, oh such great a many pathways to be unfolded underneath the biiig bluuuue sky... Mas sabe como é, ninguém te liga nessa linha quando a coisa tá utterly satisfying. Aliás, eu te admiro por toda essa fibra vocacional, todo esse tempo atendendo as mazelas da humanidade de boa, ou quase, mas deixemos aquela coisa do dilúvio pra lá. A questão é, as coisas aqui embaixo não andam tão bem, como o senhor já deve saber. O pobre servo violeiro que vos dirige não tem por intuito sair da sombra de sua, ó, tão humilde posição no cosmos, mas quem não chora não mama, então vamolá.

Antes de qualquer coisa: o Led Zeppelin tem que fazer mais um tour mundial, Robert Plant incluso! O filho do John Bonham nem é lá tãããão imprescindível assim, aceito se por algum acaso quiser tirar ele da jogada, mas os 3 originais tem que estar lá. Depois desse tour, eles vão perceber como era boa a vida nos anos 70 e lançar um novo álbum. Um BOM álbum, ouviu? Nada daquelas putarias de mixagem do comeback do Rush. E nada de double lead vocals, Led Zeppelin é uma coisa, Alison Krauss é outra, certo? Humph.

Todos nós sabemos que o B.B. King é velho gordo e não é uma morsa, mas isso não é motivo pra... chamá-lo... ainda esse ano. Deixa ele acabar o tour de despedida dele e dá um jeito de fazer o grandão gravar um último álbum. Depois do Les Paul, seria um choque grande demais para o mundo guitarrístico. Se for pra fechar a cota, mata a Maddona. Vai combinar com o Michael Jackson - aliás, boa sacada essa hein? Aposto que tem um padre-médium faturando milhões com vendas de coletânea - ou então faz o avião do revival do Village People cair. Ah, criatividade não lhe falta.

Se for pra fazer outro reunion do Genesis, o Peter Gabriel E o Steve Hackett tem que estar nele. Se não, don't even bother. Chega de Phill Collins cantando popzinhos. Não tô nem te pedindo um álbum nem nada hein, só que no advento de um tour, que seja um tour do Nursery Chryme line-up, quem sabe eles podiam tocar The Lamb Lies Down on Broadway na íntegra e com as fantasias e tudo, e filmar isso pra a posteridade pra que alguns mortais não se sintam putamente frustrados em se contentar apenas com descrições da Wikipedia.

Por favor, cura o coágulo na perna do Chris Squire, vai? O Yes tava indo tão bem naquele tour, tão felizes... Não tem como substituir o baixista. O batera até vai, o vocalista aliás você arranjou um muito bom, mas o Squire o Steve Howe pelo menos tem que ficar. Oliver Wakeman não é lá tãããão bom quanto o pai, mas tá de bom tamanho. E dá um pulmão novo pro Jon Anderson poder voltar a fazer as letras antes deles tentarem um álbum novo, não que Magnification não tenha saído bom, mas pensemos no futuro.

Acha um baterista novo pro The Who e faz eles gravarem outro álbum, pau no cú dos críticos, Endless Wire ficou muito bom sim. O coitado do filho do Ringo Starr não aguenta segurar eles, ficou tocando brit pop dos anos 90 por muito tempo. Também, foi levar o Keith Moon pra que né...

Por último - Tem gente que te pede pra ganhar na mega-sena, gente que quer dominar o mundo, há quem peça comunhão e harmonia entre os povos e paz mundial. Eu só quero um baterista. Só isso. Depois disso, tô bem por essa encarnação.

É isso. Valeu aí. Feliz ano novo. Ah é, essas coisas acabam com Amém né? Tá bom.

Amém.